Curiosidades

Tudo o que precisa de saber sobre a cerveja IPA

De todos os estilos de cerveja espalhados pelo mundo, a IPA é, certamente, uma das  mais conhecidas e comercializadas atualmente. É conhecida pelo seu sabor amargo e  por ter uma elevada concentração de lúpulo na sua composição. 

A cerveja do estilo IPA esconde muito por detrás daquilo que é uma “simples” cerveja  artesanal. A sua história remonta ao Império Britânico e às trocas comerciais que, na  altura, eram feitas com a Índia. 

Quer saber mais sobre esta cerveja dourada? Está no sítio ideal. 

O que é a cerveja IPA?  

Antes de tudo, é importante explicar o que significa o seu nome. Por esta altura, já terá  percebido que se trata de uma sigla – e percebeu bem. 

India Pale Ale. É assim que este estilo se apresenta. Uma cerveja muito amarga, graças à  quantidade de lúpulo que tem – e simultaneamente muito aromática. A IPA é, por norma,  uma cerveja fácil de beber por ser tão refrescante e diferente das convencionais. 

É preciso, contudo, alguma moderação quando se pede uma India Pale Ale, tudo por  causa do seu teor alcóolico, que é muito elevado. Por regra, este estilo de cerveja tem  um teor que oscila entre os 5,5% e os 7,5% – contra a média de 5% que, geralmente,  encontramos em cervejas mais convencionais. 

A IPA distingue-se, de facto, pelo seu sabor amargo, característica que não se encontra  facilmente noutros tipos de cerveja. A opinião é unânime quando diz que há cervejas que  acabam por ser “todas iguais” em termos de sabor, o que não acontece neste caso. 

Como tudo começou  

Pelo princípio, claro está, num estilo de cerveja que surgiu, literalmente, por necessidade.  Reza a lenda que os ingleses procuravam uma forma de fazer com que a conservação da  cerveja durasse mais tempo, face às grandes viagens que enfrentava até à Índia. 

Eram dias a fio a bordo com uma bebida que, pouco tempo depois de embalada, perdia  todas as suas propriedades. A lenda também diz que o ponto de viragem aconteceu com  George Hodgson, um cervejeiro que procurava uma nova receita que preservasse todos  os componentes da cerveja transportada, encontrou a forma ideal de conservação da  mesma.

Antes de alcançar a composição final, Hodgson tentou várias experiências até concluir  que, aquilo que a receita precisava, era de um conservante natural capaz de manter  inalteradas todas as propriedades da bebida. 

Foi essa forma de pensar que levou o cervejeiro a adicionar cada vez mais lúpulo à  receita original. Era esse o seu conservante natural que, quanto em maior quantidade  estivesse, melhor preservaria a cerveja transportada. 

Na altura, a bebida era realmente muito forte e com um teor alcoólico fora do normal.  Mas a verdade é que são essas as origens da IPA, uma cerveja com ascendência inglesa  que, com o passar dos séculos, foi perdendo “força”. 

Tal facto deveu-se ao surgimento das primeiras câmaras refrigeradas que, por si só,  conseguiam manter a cerveja gelada durante o seu transporte – e, consequentemente,  inalterada em termos de composição. 

Só a partir da década de 70 é que a cerveja IPA voltou a ganhar mercado ao ser  produzida, de forma artesanal, nos Estados Unidos da América. Da América para o  Brasil, foi curto o tempo que passou, o que fez com que esse estilo de cerveja voltasse a  ser consumido um pouco por todo o mundo. 

O que distingue a IPA de outros estilos?  

A olho nu, sem dúvida que a sua cor intriga até os mais distraídos. A cerveja IPA não é  tão clara como a convencional, pelo que o seu tom mais dourado (e, em alguns casos,  “acobreado”) destaca-se das restantes. 

O seu sabor é, também, um fator muito distintivo, que faz este estilo de cerveja  sobressair. O primeiro gole é muito amargo, intensidade que se mantém até ao final da  bebida – tudo graças à elevada quantidade de lúpulo que a IPA tem. 

A composição desse estilo de cerveja varia consoante o tipo de IPA que estamos a falar.  Há muitas variações da bebida, o que faz adivinhar que também a composição de cada  uma é diferente. Há marcas que utilizam só um tipo de lúpulo e outras que incluem vários  tipos da planta que confere o sabor amargo a qualquer cerveja. 

Ao mesmo tempo que o lúpulo confere o traço amargo a uma India Pale Ale, também  permite uma fundição de sabores impossível de saborear noutros estilos de cerveja. Por  isso, não se surpreenda se, enquanto bebe uma, sentir sabores cítricos e até florais.

Tipos de cerveja IPA  

Desde a sua criação, passando pelo seu “desaparecimento” e, por fim, pelo seu  renascimento nos EUA, que várias foram as marcas a surgir no mercado. Tendo em conta  que estamos a falar do aparecimento de várias produções artesanais, são muitas as  variações deste estilo de cerveja. Hoje em dia, contam-se oito tipos de IPA que vale a  pena conhecer. 

American IPA  

Foi nos EUA que a India Pale Ale voltou a ganhar fama e, por conseguinte, a  alcançar o sucesso que tem hoje. Por isso, é mais no que natural que a American  IPA seja a mais conhecida e comercializada no mundo. 

Esta é a versão mais conhecida da IPA e subdivide-se de acordo com a sua  produção, isto é, se é fabricada na East Coast (Costa Este) ou na West Coast  (Costa Oeste). Em qualquer dos casos, pode esperar uma cerveja muito amarga. 

English IPA  

Não podemos ignorar as origens da India Pale Ale e a English IPA está aqui para  nos relembrar disso. Esta é a variação mais antiga deste estilo de cerveja e  contém mais malte do que a versão americana. 

Também o sabor amargo é mais discreto, isto porque esta variação não inclui  tanto lúpulo na sua composição. A English IPA é, sem dúvida, mais fácil de beber  graças ao seu aroma equilibrado. 

Imperial IPA  

Se procura uma cerveja forte, chegou ao sítio certo. Esta variação é também  conhecida como Double IPA ou Double Pale Ale e tem o sabor mais amargo de  todos os tipos aqui mencionados. 

Doses elevadas de lúpulo e um alto teor alcoólico é aquilo que pode esperar de  uma Imperial IPA, cujos valores variam entre os 9% e os 13%. Este tipo distingue se facilmente dos restantes pela sua cor, que é substancialmente mais escura. 

Session IPA  

Grandes quantidades de lúpulo, mas um teor alcoólico muito mais baixo (à volta  dos 5%). Para quem não dispensa o aroma característico de uma India Pale Ale e  gosta de beber mais do que uma sem entrar num estado alcoólico, a Session IPA  é a opção ideal.

Belgian IPA  

Este é o tipo mais recente da IPA e, apesar do nome, foi criada por americanos,  com ingredientes americanos (maioritariamente o lúpulo). Contudo, a Belgian IPA  não perde as suas características belgas, tendo em conta as leveduras de origem  que são adicionadas à bebida. 

Imagine, por isso, uma cerveja belga com um sabor ainda mais amargo e aromas  mais vincados. Dependendo da marca, esta pode assumir uma cor mais dourada  ou até mesmo uma tonalidade cobre clara.  

Black IPA  

Este tipo de cerveja vai buscar o nome à sua cor escura. Neste caso, o malte é  tostado antes de ser adicionado à receita, o que lhe confere uma tonalidade muito  mais escura. 

Também conhecida como India Black Ale, este tipo inclui, geralmente, vários tipos  de aroma, entre eles: chocolate, café, caramelo ou cítricos. Ainda assim, o sabor  amargo mantém-se forte. 

Red IPA  

Já bebeu uma cerveja vermelha? Se não, esta é a oportunidade ideal de o fazer. O  malte utilizado, neste caso, provém das American Lamber Ale, conferindo um  aroma a caramelo muito interessante a esta cerveja “seca”. 

White IPA  

Este tipo é mais claro do que as anteriores, uma vez que partilha a mesma base  de uma Witbier. No entanto, e ao contrário dessas, o lúpulo é adicionado em  maior quantidade. É frequente sentir um aroma a laranja nas White IPA, cujo teor  alcoólico varia entre 5,5% e 7%. 

Apesar de “esquecida” durante décadas, a verdade é que a IPA veio revolucionar o  mercado pela forma como foi ganhando cada vez mais importância. 

Hoje em dia, a quantidade de produções artesanais é notável, o que demonstra que o  consumo das India Pale Ale é muito apreciado em todos os cantos do globo. Aquilo que,  de facto, importa reter neste estilo de cerveja é que, independentemente das suas  variações, o consumidor pode esperar um sabor muito mais forte do que o das cervejas  convencionais.

A quantidade de lúpulo adicionada é feita em muito maior quantidade e o teor alcoólico é  muito mais elevado do que a grande parte das cervejas que se encontram à venda, por  exemplo, num supermercado. 

Variações à parte, há uma base que se mantém inalterada. O sabor forte e amargo destas  cervejas é indiscutível em qualquer um dos tipos de IPA anteriormente mencionados. É  isso que, fundamentalmente, distingue este estilo de outros existentes. 

Ainda que tenha sido criado no Reino Unido e viajado quilómetros até atingir o sabor e  estado de conservação ideais, a “composição base” das IPA nunca se alterou. É a  cerveja ideal para quem procura uma experiência diferente, com direito a uma explosão e  sabores que raramente se encontra numa cerveja convencional.

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