Historia

Dia Internacional da Cerveja: uma celebração em todo o mundo

O Dia Internacional da Cerveja pode não ter sido criado há tantos anos como outras  datas comemorativas que se encontram no calendário, mas a verdade é que este é um  dos dias mais festejados em todo o mundo. 

O principal objetivo dessa celebração é comemorar o êxito e globalidade da cerveja, uma  bebida milenar presente nos 4 cantos do mundo – sob várias formas e sabores. O Dia  Internacional da Cerveja comemora-se na primeira sexta-feira de agosto de cada ano. 

Um dia com história  

Falamos de uma data comemorativa relativamente recente, criada em 2007, em Santa  Cruz, na Califórnia (Estados Unidos da América). O “culpado” pela sua criação é Jesse  Avshalomov, que, francamente, nunca imaginaria o sucesso que essa data iria ter. 

De facto, o International Beer Day (Dia Internacional da Cerveja, em português) não foi  criado com vista a ser uma celebração global, mas a verdade é que rapidamente se  estendeu a todo o mundo – mais precisamente a 207 cidades, 80 países e 6 continentes. 

Para além de celebrar a cerveja enquanto bebida internacional, este dia tem três  objetivos muitos claros: 

• Reunir amigos que gostem de beber cerveja; 

• Celebrar os responsáveis pela produção da bebida e ainda os especialistas que a  servem; 

• Unir todos os países do mundo sob o pretexto de celebrar as várias cervejas que  existem. 

Na primeira sexta-feira de agosto (que, este ano, acontece no dia 2 de agosto) celebra-se  o Dia Internacional da Cerveja e existem locais que aproveitam a data para fazer happy  hours onde vendem a bebida a um preço mais convidativo. 

Essa é, sem dúvida, a forma de celebração mais comum em todo o mundo, mas o dia é  comemorado da forma que cada bar e restaurante entender, desde que a cerveja seja, de  facto, o centro das festividades.

Uma bebida milenar  

Ainda que não se saiba a data exata da criação da cerveja, há a certeza de que, esta, é  uma bebida com milhares de anos. Estima-se que a sua produção tenha começado  pouco depois do Homem descobrir as bebidas alcoólicas – há 10 mil anos atrás. 

Sabia que foram os padeiros os primeiros produtores de cerveja? 

Se pensar na composição e ingredientes da bebida, talvez esta constatação não seja tão  desconexa quanto isso, porque a verdade é que a cerveja contém grãos de cereais e  leveduras, ambos muito utilizados no fabrico de pão. 

Ainda hoje, apesar de algumas variações, esta bebida é fabricada mantendo esses  mesmos ingredientes, o que é muito curioso e revelador da história que a mesma  “esconde” por detrás. 

O processo de fabrico era muito simples: a cevada era posta de molho até germinar.  Depois, essa era moída muito grosseiramente e adicionada à levedura, formando  pequenos bolos. 

Estes eram parcialmente assados e, após o tempo no forno, eram desfeitos em jarros e  canecas e misturados com água. Iniciava-se, assim, o processo de fermentação.  

Ainda que descoberta por acaso, tudo indica que a primeira cerveja foi feita na  Mesopotâmia, onde a cevada crescia em estado selvagem. O mais longe que a História  (e a sua documentação) chega é a uma bebida feita à base de cereais fermentados e  consumida em 2100 A.C.  

Os mesmos documentos constatam que cerca de 40% da produção de cereais da  Suméria (civilização localizada no sul da Mesopotâmia) se destinavam a cervejarias,  também conhecidas como Casas de Cerveja. 

Rapidamente os egípcios aprenderam a arte de produzir cerveja, tornando-se, também  eles, uns dos principais produtores dessa bebida fermentada. Sabe-se que essa  produção foi passando de geração em geração durante milhares de anos, culminando  numa bebida que passou a fazer parte da dieta diária da população. 

Convém referir que, a cerveja da altura, não era em nada semelhante àquela que hoje  conhecemos. A cerveja que os egípcios produziam era muito mais escura e com um  sabor muito mais forte.

A água utilizada também não era potável, o que causava várias doenças à população,  culminando na morte de muitas pessoas. 

A importância do Império Romano na produção de cerveja  

O Império Romano foi imprescindível na globalização da cerveja, pois só a partir daí é  que a bebida de expandiu e começou a ser cada vez mais conhecida entre as  povoações.  

Porquê? 

Porque os romanos se encarregaram de levar a cerveja a todas as povoações que não a  conheciam. Rapidamente a bebida ganhou fama por onde passava, sendo facilmente  adotada por todos os povos. 

Do Império para o resto do mundo passou, de facto, muito pouco tempo: foi o Imperador  Júlio César que apresentou a cerveja aos britânicos que, até à data, só bebiam licor de  mel e leite. Digamos que foi precisamente nessa altura que, a verdadeira expansão,  começou a acontecer. 

A produção desta que foi uma das primeiras bebidas alcoólicas produzidas, expandiu-se  cada vez mais e deixou de ser exclusiva do Império Romano, isto porque o seu fabrico  começou também a ser feito pelos artesãos de várias cidades, assim como pelas  tabernas que existiam na altura.  

Ora, das pequenas tabernas para as modestas fábricas europeias outro tempo passou,  mas estas só começaram a produzir a bebida a partir de meados do séc. XII. A única  certeza que se tinha era que, para fabricar uma boa cerveja, era necessária muita água –  e assim começou a produção cada vez mais abrangente da bebida. 

Com o passar dos anos, a técnica foi-se aperfeiçoando até obter a cerveja que hoje  conhecemos. É claro que, para isso, foi fundamental o gradual aparecimento de novos  instrumentos e técnicas de produção, essenciais para o sucesso desta bebida milenar –  assim como de fábricas cada vez maiores e melhor equipadas.

A cerveja em Portugal  

O crescimento da cerveja em Portugal só aconteceu após a conquista de D. Afonso  Henriques, que passou a permitir a produção da bebida no país. Mas não foi só graças a  esse rei que a produção de cerveja arrancou, mas também a outros reis e nobres  estrangeiros. 

A verdade é que, na altura, muitas das conquistas eram feitas com o auxílio desses  “estrangeiros” (europeus, na sua maior parte), a quem eram doados campos agrícolas  como forma de agradecimento.  

Ora, se os cereais que compunham a cerveja já eram muito cultivados na Europa Central,  não é de espantar que o mesmo se fizesse em Portugal. A partir daí, a produção de  cerveja passou a ser muito mais simples, apesar de nem sempre fácil face à quantidade  de vinho que, na altura, também se bebia. 

É só mais tarde que a cerveja começa a chegar ao nosso país a partir do Norte da  Europa. Há registos, que datam o ano de 1402 que certificam a chegada de cerveja em  barcos que desembarcavam nos portos de Lisboa e Porto – e assim começava a  importação de cerveja, cuja capacidade de conservação era notável (visto preservar o  seu sabor e textura durante tanto tempo de viagem). 

Do cultivo e importação à abertura dos primeiros espaços de venda de cerveja, pouco  tempo passou. O primeiro deles encontra-se em Lisboa e data o séc. XVII, conhecido  como Pátio da Cerveja (situado na antiga freguesia de Conceição Nova). 

A bebida demorou a ganhar fãs em Portugal, onde o vinho era a bebida mais consumida.  Mas a verdade é que a cerveja foi reclamando o seu espaço e seu consumo foi-se  lentamente igualando àquele que se fazia no resto da Europa. 

Exemplo do sucesso que a bebida foi ganhando está na indústria fabricante de cerveja  que hoje em dia temos, onde se destacam duas grandes fábricas: a Centralcer e a Super  Bock Group (antiga Unicer).  

A Centralcer é responsável por uma das cervejas mais consumidas no país: a Sagres. Por  sua vez, a Super Bock Group é responsável pela produção e venda de outra grande  concorrente: a Super Bock. 

Em Portugal, são estas as marcas de cerveja mais consumidas e a verdade é que, desde  sempre, foi muito difícil destronar ambas e introduzir no mercado outras opções –  provenientes de outras marcas.

Um dos primeiros esforços foi feito pelas cervejas Cintra, que ainda hoje mantêm fábrica  de produção em Santarém, no sul do país. Atualmente, podem ser encontradas várias  cervejas da marca no mercado, nomeadamente a Cintra Pilsen, a Cintra Preta e a Cintra  Dunkel. 

Corria o ano de 2000 quando chegou a vez de entrar a Tagus no mercado. Fazendo parte  do grupo Sumol, esperava-se um maior sucesso da cerveja, o que não veio a acontecer  da forma que se desejava.  

Na Madeira, as cervejas Zarco e Coral são as que predominam, mas, novamente, sem a  quantidade de vendas que se possa igual às duas maiores produtoras. 

A verdade é que a presença da Centralcer e da Unicer em Portugal vai muito para além  da produção da cerveja, isto porque ambas as empresas comercializam a cerveja em  barril para consumo imediato em locais de venda – como são exemplo restaurantes,  bares e cafés. 

Dia Internacional da Cerveja: dos EUA para o mundo  

Nada fazia antecipar tamanho sucesso, mas a verdade é que o Dia Internacional da  Cerveja foi reconhecido e passou a ser celebrado em todo o mundo. Inicialmente, a data  era sempre celebrada no dia 5 de agosto, mas uma sondagem feita mais tarde concluiu  que as pessoas preferiam que o dia fosse celebrado na primeira sexta-feira de agosto. 

Por isso, esteja atento, porque, para além de poder celebrar o êxito desta bebida, o mais  certo é poder bebê-la a um preço mais baixo e até participar em diferentes jogos e  atividades promovidas por restaurantes e bares. 

De uma ideia criada nos Estados Unidos da América, o evento tornou-se mundial e hoje  é celebrado nos seguintes países: 

• Austrália 

• Áustria 

• Bélgica 

• Brasil 

• Canadá 

• Colômbia 

• Costa Rica 

• El Salvador 

• Inglaterra 

• França

• Grécia 

• Honduras 

• Hong Kong 

• Hungria 

• Índia 

• Irlanda 

• Israel 

• Itália 

• Japão 

• Letónia 

• Líbano 

• Lituânia 

• Macedónia 

• Malásia 

• México 

• Nova Zelândia 

• Nicarágua 

• Noruega 

• Peru 

• Polónia 

• Portugal 

• Porto Rico 

• Roménia 

• Singapura 

• Eslováquia 

• Eslovénia 

• África do Sul 

• Sri Lanka 

• Tailândia 

• Filipinas 

• Turquia 

• Emirados Árabes Unidos 

• Uruguai 

• Vanuatu 

• Venezuela 

Quem faria adivinhar que uma bebida fosse tão popular em todo o mundo?

Achamos que falamos por todos quando dizemos que ninguém esperava tamanho  sucesso, ao ponto de existir o Dia Internacional da Cerveja. Ora, tendo em conta todo  este sucesso, mais vale celebrá-lo da melhor forma. 

Mas a verdade é que não falamos de uma bebida qualquer, mas sim da terceira bebida  mais consumida em todo o mundo, logo atrás da água e do café. A cerveja foi ganhando  o seu espaço e gradualmente ocupando o lugar que merece. 

Face aos seus benefícios, inclusive para a saúde, a cerveja foi-se reinventando, ainda  que mantendo os seus ingredientes principais, que são, no fundo, aqueles que lhe  garantem a aparência, o sabor, a textura, a sensação, a densidade e o aroma tão  característicos. 

A água, a cevada maltada, os diferentes cereais (como o trigo, o milho, o arroz, o centeio  e a aveia), o lúpulo e as leveduras permanecem, desde sempre, essenciais, numa receita  que pouco ou nada mudou desde a sua criação. 

Da cerveja tradicional, passámos para a artesanal. Dentro de ambas as categorias,  encontramos um sem número de variações e de tipos de cerveja que, tendo em conta a  concorrência, nunca se imaginaram possíveis. 

Para cada tipo de cerveja, o copo ideal, e a verdade é que esta é a data perfeita para se  informar com profissionais do ramo, que o podem aconselhar sobre qual o copo certo  para cada cerveja. 

Qual a melhor forma de servir cada uma delas, a que temperatura e como a deve beber.  De facto, cada cerveja tem, para além de uma história imensa, uma forma de beber,  apreciar e sentir, muito peculiares e que poucas pessoas conhecem – até porque a  cerveja também pode, e deve, ser degustada. 

Deve mesmo fazê-lo e bebê-la com moderação. Apesar de alcoólica, estamos a falar de  uma bebida feita à base de ingredientes naturais aos quais não são adicionados  corantes, conservantes ou até mesmo açúcar. A cerveja é saudável e é um erro afirmar o  contrário – desde que, claro está, associada a uma dieta equilibrada e rica em nutrientes. 

Da cerveja boémia à preta, a quantidade de opções parece não ter fim, o que é um ótimo  pretexto para as provar a todas (ou quase todas) no Dia Internacional da Cerveja.

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